Fundação do Agrupamento de Ilhavo

 

Como nasceu o Escutismo em Ílhavo?

 

Deixemos que “falem” as palavras escritas, numa já amarelecida folha de papel, pelo primeiro Chefe do Glorioso Grupo 46:

Um grupo de 6-7 rapazes amigos e ainda muito novos, com idades compreendidas entre os 16 e 19 anos, costumavam juntar-se no centro da vila para conversar, como era habitual na época. Aperceberam-se da passagem de alguns escuteiros de Aveiro, com as suas vistosas fardas, a caminho da Vista – Alegre onde estava a formar-se um grupo apoiado pelos tais elementos de Aveiro.

Entusiasmados, resolveram, um dia, mandá-los parar para colher informações sobre o dito Movimento. Tendo sido convidados a assistir a uma desses reuniões na Vista – Alegre e como tivessem gostado das actividades, iniciaram também as suas reuniões. O grupo foi, então constituído, pelos seguintes rapazes: João Bichão, Carlos Faria, João Peixe, Horácio Peixinho, Joaquim Teles, Eduardo Bagão e Manuel Azevedo.

Dispostos a trabalhar, pediram a colaboração do então Chefe do Grupo de Aveiro, José Cristo, rapaz alegre e comunicativo.

Necessitavam, contudo, de uma direcção para a Fundação do Grupo. De acordo com o Pároco de Ílhavo, Senhor Prior Basílio, resolveram convidar o Sr.Padre Manuel Campos e o Sr. Professor José Pereira Teles, pessoa de boa vontade e amigo da juventude, que aceitaram o convite.

Começaram então a trabalhar e a preparar as Promessas, tendo pedido a ajuda das Professoras D. Nazaré Cruz e D, Helena Mano, que por sinal, eram zeladoras do Altar de Nª. Sra. Do Rosário e faziam parte da Comissão de Festas. A Mordomia ofereceu o galhardete e o grupo de escuteiros, reconhecido, escolhe para seu Patrono a Nª Sra. do Rosário.

O Comandante dos Bombeiros de Ílhavo, na altura o Senhor Artur Rasoilo Sacramento, pôs à disposição do Grupo o Quartel para as reuniões. Este Quartel era no antigo Mercado Municipal, onde actualmente está a estátua de D. Manuel T. Salgueiro; O grupo contava, então, com 30 elementos…”

A 15 de Agosto de 1928 era fundado o Grupo 46 do Corpo Nacional de Scouts.

 

“ A Promessa dos Escuteiros”

 

Recordar é viver!

Publicamos, a reportagem das cerimónias realizadas há 80 anos pela primeira geração dos escuteiros do então Grupo 46.

De «O Ilhavense» nº 741, de 19/8/1928, transcrevemos quase na íntegra.

 

Muito modesta, muito simples – tão modesta e tão simples como a alma desses rapazes que constituem o«Grupo de Escuteiros Nossa Senhora do Rosário» – realizou-se, na quarta-feira passada – dia de Nossa Senhora do Pranto – a promessa dessa mão-cheia de jovens que ante o altar da Virgem foram jurar:

 

1º - Cumprir os seus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria;

2º - Auxiliar o próximo em toda e qualquer circunstância;

3º - Obedecer à lei do scout.

 

 

Na terça-feira, à noitinha, juntaram-se os escuteiros de Ílhavo na Igreja Paroquial, onde compareceram perante o tribunal da penitência. Em seguida, acamparam no largo do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, ali no sopé daquele obelisco perpétua a memória dos que souberam morrer pela honra de Portugal.

Em grupos de quatro, fizeram sentinela de hora a hora, ficando alguns à fogueira, que durante a noite crepitou no arraial, e recolhendo outros à barraca de campanha.

Assim se passou a noite até que, pela manhã, se encaminharam em forma para a Igreja, onde às 9 horas foi celebrada missa pelo rev.mo Sr. Dr. Cónego Trindade Salgueiro.

Acompanharam à Igreja os nossos escuteiros a associação de Bombeiros Voluntários, desta vila, com o seu estandarte, o «Grupo de Escuteiros Nossa Senhora da Penha de França, da Vista-Alegre, e uma deputação do «Núcleo de Escuteiros Santa Joana Princesa, de Aveiro, com o seu instrutor – chefe Sr. José Cristo.

Perante o altar da Nossa senhora do Rosário, que a distinta Comissão quis ter a gentileza de enfeitar com muito gosto e mimo, se postaram todos os Escuteiros e Bombeiros, ouvindo a missa.

Ao Evangelho, o Sr. Dr. Trindade Salgueiro, proferiu uma linda e comovente prática, exortando os rapazes a terem sempre Fé em Deus, a serem bons e a serem generosos. Lembrou-lhes quanto é preciso amarem a Pátria, engrandecê-la e respeitá-la. Falou-lhes dos seus deveres para com os seus superiores e terminou por lhes desejar muitas felicidades.

À comunhão, todos os escuteiros se aproximaram da Sagrada Mesa.

No final da missa, realizou-se a Promessa, fazendo juramento, perante o altar de Deus, o altar da Pátria, simbolizada ali pela Bandeira Nacional, e o altar dos Escuteiros, simbolizado no Galhardete do Grupo.

Em primeiro lugar a direcção:

P. Manuel Campos, director; José Pereira Teles, chefe de administração; Manuel Soares de Azevedo, chefe de Grupo; João Fernandes Bichão, ajudante.

Seguiu-se, depois, o juramento dos Lobitos:

João Trindade Mano das Neves e João Francisco Grilo.

Logo depois, o juramento dos lobos: Horácio Gonçalves Peixinho Joaquim Antunes Aires, Carlos Faria, João Ruivo Andorinha, Horácio Carvalho do Bem, Armando Gomes Leite, Manuel Fernandes Matias, José Francisco Corujo, António Batel, Manuel dos Santos Oliveira, Benjamim dos Santos Malaquias, Célio corujo, Joaquim Ramalheira Chuva, José Cecílio, João Francisco Branco, Mário matos Pereira, Manuel Martins Arroja, António Catarino Coelho, João da Silva Peixe, Joaquim Pereira Teles, Eduardo Oliveira Bagão, Henrique de Almeida Rato e Manuel Pereira de Oliveira.

                                               ………………………………………………….

É mais uma tentativa em prol do progresso da nossa terra e que visa a educar a juventude para o Bem.

Oxalá ela frutifique e crie fundas raízes na alma dos ilhavenses!

Arraial1 Arraial! Por S. Jorge, S. Nuno e Portugal!

                                                                                                              In «O Ilhavense», nº 741 de 19/8/1928        

 

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